domingo, 7 de novembro de 2010

Diamond Eyes - review pessoal

Desde maio eu já pretendia fazer esse review, que parecia não sair nunca por falta de tempo ou até de inspiração pra escrever. Agora finalmente terminei.

Tudo que escrevo sobre Deftones tem a mesma imparcialidade do que escrevo sobre o Brasil, sobre o América, sobre minha família ou sobre qualquer coisa que eu guarde no coração: zero. Essa análise de Diamond Eyes não é diferente.

Deftones

Se você não conhece Deftones, corra que ainda dá tempo de nascer de novo. Comece lendo um pouco sobre a banda no Wikipédia enquanto ouve algumas músicas no Youtube. Acredite, você não sabe o que está perdendo. Mas vamos ao review.

O álbum

Diamond Eyes nasceu num dos piores momentos (emocionalmente falando) do Deftones. Depois de todo o furacão emocional que foi a produção de Saturday Night Wrist, o balde de água gelada acertou a banda em cheio com o acidente de carro que levou o baixista Chi Cheng ao coma. A produção do álbum foi imediatamente interrompida, pra depois ser iniciada praticamente do zero, agora com o reforço do competente Sergio Vega. Mas pra todos nós que acompanhamos a banda, com todo respeito ao Vega, Chi é o único baixista.

Apesar do inferno astral dos bastidores, creio que profissionalmente a fase atual é uma das melhores da banda. Apenas coloco o ano de 2003 (produção do álbum Deftones e grandes turnês internacionais) acima, pois havia a mesma energia intensa e, principalmente, Chi.

Faixa a faixa

Diamond Eyes começa com uma música de mesmo nome. Colocar música homônima ao álbum é perigoso, marca o álbum negativamente se a música não for ótima. Mas felizmente não é o caso, porque Diamond Eyes é linda. O refrão é extremamente agradável, e o grito desesperado de Chino por Chi Cheng é de arrepiar qualquer ser humano que conheça a história e a atual situação do baixista. Royal sobe o giro do motor e traz mais dos gritos que são tão típicos do Chino e tão sabiamente distribuídos por ele pelas músicas. Analisando instrumentos separadamente, é uma das melhores performances do Stephen (guitarrista) no álbum. CMND/CTRL, ainda com ritmo acelerado, abre espaço pra mostrar um pouco, bem pouco, do que Abe é capaz na bateria. Um gênio.

Bem diferente das três primeiras músicas, mais cadenciada, mas não por isso menos pesada. Essa é You’ve Seen the Butcher. Não se parece com nenhuma fase anterior de Deftones, é realmente novidade, uma ótima novidade. A quinta música vem em seguida, freando mais um pouco. Se Royal serve pra você sentir o vento na cara, Beauty School é pra você curtir cada pedaço da bela paisagem. Contém talvez a introdução mais bonita do álbum e um refrão muito gostoso de ouvir. Música relaxante, tão relaxante quanto a situação descrita na letra. Hahahah...

Prince remete ao início dos anos 2000 em um ótimo sentido. É de IMPRESSIONAR a semelhança entre ela e a belíssima RX Queen (não conhece? Ouça aqui), do álbum White Pony. Como minha amiga Pri já me disse, você começa ouvindo uma e termina cantando a outra. Prince não é tão romântica e/ou “sensual” (sei lá se é essa a palavra) quanto RX Queen, mas é mais “forte”. Linda também.

Rocket Skates merece um parágrafo só pra ela. Não sei se é pelo fato de eu ter tido a honra-barra-prazer-barra-privilégio-barra-EARGASM de tê-la ouvido ao vivo em São Paulo, a 3 metros de distância do palco, quando Diamond Eyes ainda estava no forno e ninguém sequer sabia o nome da música, mas pra mim é facilmente a melhor do álbum. O resgate da identidade da banda está inteiro nessa música, do primeiro ao último segundo. Ouvindo Rocket Skates você passa por todos os álbuns do Deftones ao mesmo tempo. Guns, razors, knives, ta tudo aqui e é do caralho.

Continuando, a oitava música quebra novamente o ritmo. Sextape é bem lenta e tem um dos refrãos mais bonitos do álbum, talvez o mais bonito. Stephen dá SHOW nessa música. Não que todos não estejam impecáveis, mas a guitarra dele conduz Sextape de forma incrível. Música pra ouvir mil vezes em loop, maravilhosa. Em seguida, Risk carrega um bocado da energia do álbum anterior, Saturday Night Wrist. Redundante fazê-lo pela terceira vez, mas não dá pra não elogiar Stephen também nessa faixa. Muito bom.

As duas últimas músicas fecham o álbum com a mesma classe de todas as outras. 976-EVIL também é novidade. Bem cadenciada, como You’ve Seen the Butcher, mas ligeiramente mais melódica. Muito bonita. Já em This Place is Death, Chino claramente resgata o estilo vocal do quarto álbum, que leva o nome da banda. Fecha com chave de ouro um álbum sensacional. Ou quase fecha.

Sim, porque Diamond Eyes traz 3 covers inéditas como faixas bônus. E que covers, meu Deus do céu.

Pra começar, nada menos que Do You Believe, do Cardigans. Sabe quando pegam uma música que já é fantástica, levam pra outro lado e mantêm a perfeição? É bem por aí. Mais ou menos o que Deftones já tinha feito com Please Please Please Let Me Get What I Want, do Smiths (não conhece? Ouça no Youtube a original aqui e a versão Deftones aqui). Voltando a Do You Believe, no Youtube rola um fotoclipe usando algumas imagens do Chi (clique no nome da música no início desse parágrafo), e é de marejar os olhos. Das três covers de Diamond Eyes, facilmente minha favorita.

Em seguida, uma cover muito bem executada de uma música dos ingleses do Japan: Ghosts. O gosto do Deftones por rock britânico é parecidíssimo com o meu, o que se pode notar por outras versões feitas (maravilhosamente bem) por eles, como Smiths, Cure, Duran Duran e por aí vai.

Por fim, uma cover totalmente inesperada, pelo menos por mim. Apenas uma vez ouvi Deftones tocando hardcore (quando fizeram essa cover de Subliminal, do Suicidal Tendencies). Agora pude ouvir novamente: Caress, do Drive Like Jehu. Bom demais! Abe mais uma vez brilhante na bateria, só pra variar.

Enfim, se Diamond Eyes prometia ser a ressurreição da banda após todos os problemas, missão cumprida. A qualidade é incontestável e algumas faixas são de emocionar. Eu já o recomendaria antes mesmo de ser lançado, apenas por ser Deftones, mas agora recomendo ainda mais. Não deixem de ouvir.

Obrigado.



1- Diamond Eyes – 9,5
2- Royal – 9
3- CMND/CTRL – 8,5
4- You’ve Seen the Butcher – 9
5- Beauty School – 9,5
6- Prince – 9,5
7- Rocket Skates – 10
8- Sextape – 9,5
9- Risk – 8,5
10- 976-EVIL – 9
11- This Place is Death – 8,5
12- Do You Believe (The Cardigans cover – Bonus) – 10
13- Ghosts (Japan cover – Bonus) – 9
14- Caress (Drive Like Jehu cover – Bonus) – 9,5

NOTA GERAL: 9,2

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Algumas novidades

Bom, pessoal, como minhas postagens aqui têm sido tão esporádicas quanto as visitas - o que pretendo mudar postando mais regularmente - resolvi fazer algumas mudanças. São pequenas coisas que eu acho que vão melhorar o blog, tanto na organização quanto na divulgação.

Antes de tudo, algumas mudanças na aparência. Novas cores, novo logo, etc. Já fazia tempo que estava do jeito antigo e enjoei. Espero que gostem, e aceito sugestões.

Adicionei no menu à direita uma seção chamada "Sobre o que você quer ler?", onde os posts estão organizados por assunto. Se você clicar em "Futebol", por exemplo, todos os posts relacionados a futebol serão exibidos, ocultando os posts que falem de outros assuntos.

Novidades também abaixo de cada post. Incluí um botão de "Gostei" - não incluí um de "Não gostei" porque é um verdadeiro trollbait - só pra eu ter um feedback simples. Também adicionei botões de divulgação, caso queiram repassar o que leram via Twitter, Facebook e afins. Um tanto pretensioso pra quem quase não tem leitores, mas tudo bem.

Por fim, vou passar a colocar anúncios pelo blog. Eu sei, meu blog não tem nem de longe o tráfego necessário pra gerar uma renda relevante e nem é essa a minha intenção, mas por enquanto é apenas pra testar, quero ver no que dá. Por isso peço, desde já, que tenham paciência com os anúncios e, se possível, cliquem neles, nem que seja só um clique a cada vez que vocês entrarem. Já ajuda.

Como eu disse acima, aceito sugestões à vontade. Gosto muito de escrever aqui, e tô fazendo o possível pra melhorá-lo pra mim e pra quem lê ou um dia já leu.

Obrigado.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Criatividade com fones de ouvido

Fuçando a web se acha muita coisa interessante. Dia desses vi o blog da LauPre, uma costureira que mostra soluções inteligentes e criativas utilizando agulha, linha e similares. Mas o que me fez conhecer o blog foi, especificamente, este post. Nele a moça apresentou a forma mais original que já vi para resolver um problema que eu tenho desde o meu primeiro walkman: fones de ouvido com fios quebrados ou enroscados.
Na teoria, só o que ela fez foi “encapar” os fones de ouvido dela com um zíper. É tão simples quanto genial. Achei tão interessante que resolvi fazer isso nos meus (com a ajuda indispensável de Dona Vera e Dona Maria do Carmo, vulgo minha mãe e minha tia que são costureiras de primeira).
Pra começar, uma diferença. Como o meu fone de ouvido é de celular e tem microfone, ele não se separa todo como o da LauPre, o que fez com que o projeto fosse modificado. Enquanto o zíper do fone dela se abre por inteiro até o plug, o meu para de abrir antes, mas o suficiente. E o microfone foi costurado para fora (vide quarta foto) pra poder ser utilizado.
Se você quiser fazer também, dá uma olhada no post do blog dela (aqui de novo), onde ela explica com detalhes como se faz. Abaixo postei as fotos do resultado com o meu fone de ouvido. Não precisa ter mil habilidades de costura pra fazer isso (eu pedi ajuda porque tenho coordenação motora de uma criança sonolenta), nem mesmo de máquina de costura. Basta agulha, linha e o zíper, que são coisas fáceis de comprar.








Obrigado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homenagem simples, mas sincera

Há quem diga que textos especialmente feitos para homenagear mulheres, mães, pais e namorados em seus respectivos dias rompem a barreira do piegas. Mas calma lá, o ano tem 365 dias. Se nós, que somos e precisamos ser deliciosamente piegas, não pudermos descarregar toda a nossa melação pelo menos nessas quatro datas, imagine só o tédio.

Entretanto, hoje a criatividade me falta para escrever algo digno do valor inestimável de vocês, mulheres, motivo pelo qual nem me atreverei a tentar. Que apenas fiquem registrados o meu carinho e a minha homenagem às verdadeiras obras-primas do Universo, àquelas de quem nós, homens, vivemos reclamando de barriga cheia pelo simples prazer de reclamar, já que é fato consumado que nós não vivemos sem vocês.

Parabéns a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher.

(Para ser coerente, escrevi essas linhas ao som de algumas cantoras que admiro: Lily Allen, Magdalen Graal, Elis Regina e Mart’nália)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Das TPMs (a delas e a nossa)

Todo homem já teve pela frente uma amiga / namorada / esposa / mãe / chefe / colega de trabalho / etc. em uma séria crise de Tensão Pré-Menstrual. Se não teve, ainda vai ter, e dependendo do grau de parentesco com a mulher em questão, vai desejar estar a milhares de quilômetros de distância.

É chover no molhado dizer isso, mas vale repetir: NÃO É CULPA DELAS! Nenhuma mulher dá crise de TPM porque acha legal, e todas com as quais conversei sobre isso dariam tudo pra não ter que conviver com esse tormento mensal. Dói nelas mais do que dói na gente, tenham certeza. É nosso dever como cavalheiros / amigos / parceiros / filhos / pais compreender, apoiar, aguentar, oferecer o ombro pra chorar ou o braço pra levar uns murros e estar sempre por perto durante a tempestade.

Mas homem também tem TPM, gatinhas. A nomenclatura muda de cidade para cidade, mas a sigla é a mesma. E a nossa não tem a mesma intensidade da TPM feminina, mas é mais frequente, costuma vir de uma a duas vezes por semana.

Nós, homens residentes em Minas Gerais, sofremos constantemente da famigerada Tensão Pré-Mineirão. Aliás, conheço algumas mulheres que sofrem da nossa TPM também (né, Stephanie? Hahaha). E não se enganem pela partícula “Pré”, pois é um estado de apreensão que pode se estender até alguns dias DEPOIS.

As mudanças repentinas de humor são semelhantes. Eu passei por uma delas no último domingo, quando chamei o mesmo jogador de “Filho da puta” e “Seleção” num intervalo inferior a três minutos.

A ligação à comida também está presente. O “chocolate” da nossa TPM tem um nome composto e delicioso: Feijão tropeiro. É claro que varia de homem para homem, visto que o MEU chocolate se chama “Bolinho de feijão do Independência”.

Mas, ao contrário da TPM feminina, a nossa está muito mais sujeita a fatores climáticos. Se o tempo fechar pro nosso time, espere um longo período de mau humor. Portanto sejam espertas e usem estratégia: se querem pedir algo a um homem, faça-o após a vitória do time dele. Nenhum homem NO COSMOS ousaria negar. Contei um segredo da nossa raça, usem com sabedoria.

Dependendo do estágio em que a Tensão Pré-Mineirão se encontre, até algumas perguntas carregadas de carência começam a surgir. Se uma mulher na TPM pergunta “Tô feia?”, homens na TPM perguntam “Meu time vai ganhar, não vai?”. E queridas, MUITO CUIDADO ao responder.

As variações, como Tensão Pré-Maracanã e Tensão Pré-Morumbi, disseminam-se pelos outros estados brasileiros, e ganham até outras siglas em outras regiões, mas o princípio fundamental é o mesmo.

Portanto, moças, façamos um pacto. Nós prometemos ser os lordes mais exemplares do mundo durante a TPM de vocês. Em troca, sejam tão perfeitas quanto puderem ser durante a nossa. Eu sei que não é difícil, porque perfeição é item de série em vocês, vem de fábrica.

Obrigado.

terça-feira, 2 de março de 2010

Curtas de formando


15 pequenos pensamentos sobre formatura, colação de grau e baile.

1- Não importa o tamanho das dívidas que você vai contrair para fazer parte de uma formatura. Vale muito a pena.

2- Rifas são importantes. Formatura demanda dinheiro, então é bom que parte desse dinheiro venha dos outros. Rá!

3- Agradecimentos em convites de formatura são pra sempre. Cuidado ao imortalizar alguém de quem possa se arrepender depois. Não é legal.

4- O ditado "O melhor da festa é esperar por ela" vale para formaturas também. Não fiz parte da comissão, mas cada etapa do processo (venda de rifas, brindes, prova de becas, sessão de fotos, tudo) tem seu valor. Não deixe de fazer parte disso.

5- Beca e capelo esquentam muito mais que terno e gravata. E deixar o "babador" da beca em posição vertical é uma arte. Uma arte que não domino.

6- Colação de grau bem-comportada é para os fracos. Enquanto estiver lá esperando a sua vez de receber os cumprimentos e o diploma simbólico, cante, dance, faça a Ola com seus amigos. Os que fazem cara feia pra isso na verdade estão morrendo por dentro de vontade de fazer igual.

7- Se terno não fosse uma roupa tão absurdamente quente, eu usaria em muito mais festas. MUITO estilo.

8- Homens que não estão habituados a usar camiseta por baixo da camisa e do paletó: habituem-se. E não perguntem por quê, apenas confiem em mim.

9- O baile de formatura passa mais rápido do que parece. Durante ele, beba/diga/faça tudo que der na telha enquanto é tempo.

10- Não misture bebidas. Faça como eu: beba whisky, tequila, champanhe, batida e cerveja, todas na mesma noite, mas em copos separados. Ou, no caso da tequila, sem copos. Rá!

11- Falando em whisky, beba os melhores no início do baile. Depois que o álcool tomar o lugar do seu sangue, qualquer água suja com pinga que passar na sua frente vai ter gosto de Black Label.

12- Subir no palco, abraçar membros da banda e passar pelas mãos de uma tequileira são atos altamente recomendáveis. Quem não paga micos não tem história pra contar.

13- Certifique-se de que a sua amnésia alcoólica não seja maior que a dos seus amigos. Você vai querer contar para eles as coisas impensáveis que fizeram e não lembram.

14- Por outro lado, se você se lembra de tudo, você não bebeu o suficiente. Acredite, tem toda a graça do mundo ouvir dos outros as coisas impensáveis que VOCÊ fez e não lembra. Só tome cuidado pra não magoar alguém com isso. Sério mesmo.

15- E guarde tudo que puder. Fotos, lembranças, acessórios, tudo. Você terá muitas outras festas fenomenais pela frente, talvez até outros bailes de formatura se você expandir sua vida acadêmica. Mas o primeiro é o primeiro, intenso e inesquecível.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Marinho


Quantos anos você tem, caro leitor? Já escolheu seu time de futebol? Independente do que você responder, a verdade é que não escolheu. Não é assim que funciona.

Já ouviu aquele ditado que diz que a felicidade é como uma borboleta – basta parar de se preocupar com ela e ela pousará calmamente no seu ombro? Com um time de futebol é assim também. Você não escolhe, ele vem até você.

Todo mundo que me conhece sabe que o time que me escolheu – e agradeço sempre por isso – foi o América Futebol Clube. Já faz 23 anos que carrego, tatuado no coração, o emblema do clube mais mineiro de Belo Horizonte. Pudera. Com meu espírito bairrista, regionalista, ufanista e patriótico, qualquer outro time de BH que me escolhesse estaria sendo por demais incoerente.

Mas não é da MINHA paixão pelo América que venho escrever. É meu dever, como torcedor do Coelho, divulgar aqui as seguintes linhas, escritas por um ilustre americano, o qual tenho a imensa honra de poder chamar de amigo. Mário Monteiro é um verdadeiro exemplo de torcedor que aceita, de braços e coração abertos, o time de futebol que o escolhera no dia de seu nascimento. Defensor irredutível das cores do nosso exército. Marinho, meu caro, muito obrigado por ser americano.

Segue o maravilhoso texto dele, a respeito da solenidade ocorrida na última sexta-feira, marcando o início das obras de reforma do nosso segundo lar, o Estádio Independência.


“A torcida desceu e os jogadores subiram

Começo pelo fim. Tem coisas que só acontecem com o América.

O dia 22/01/2010 foi um marco na vida do clube. Formalidade a tona, protocolos, discursos, assinaturas, toda a cúpula governamental e desportista do Estado no hall do Independência para a o início das obras do único estádio particular de um clube profissional de futebol em BH.

Obras que colocarão o América na dianteira novamente, na consolidação patrimonial e na afirmação do clube com a sua galeria repleta de pioneirismos.

Pois bem, mas não venho aqui falar somente do discurso do governador Aécio Neves, neto de americano, que na qual fez questão em dizer e que também o América conseguia fazer não somente proezas esportivas, mas políticas também, pois como em cada importante cargo nos diversos setores da sociedade possui um torcedor estrategicamente do América, esse tradicional clube conseguira, numa posição clara de convergência, unir petistas e tucanos no mesmo palanque, além do modelo de gestão americano, o fato de vários presidentes que denotam o diálogo e a união em prol do América, serem uma clara e evidente inspiração para o chefe do executivo mineiro e de toda a política das alterosas.

Venho falar de uma cena em que perdi as forças no momento que vi.

Com a solenidade terminada, batalhões de fotógrafos e jornalistas à postos para colher matérias com as personalidades, uma cena surgiu, aconteceu naturalmente e nunca mais sairá da minha memória:

Torcedores apaixonados americanos desceram ao gramado do independência para se despedirem do “velho” gigante do horto, que testemunhou de jogo do copa do mundo, ou melhor, a maior zebra de todos os tempos, na vitória dos EUA sobre a Inglaterra em 1950, mais as inúmeras batalhas do América, os títulos, as lágrimas das vitórias, das lutas que se estendem do Milan da Itália ao Corinthians, dos clássicos que também foram realizados nesse importante palco americano.

No momento em que os torcedores americanos desceram para o gramado, uma imagem surgiu: o nosso capitão Wellington Paulo encostou na arquibancada e só ficou admirando com a voz embargada. Afinal, foram inúmeras batalhas travadas e capitaneadas pelo nosso zagueiro americano. Ele olhava, e os americanos iam descendo e falando obrigado capitão! Estava visivelmente emocionado. E ao lado direito, vários ex-atletas, da velha guarda americana, sentaram na arquibancada, nas cadeiras verdes para ver a cena, de Ari, o ponteiro dos anos 60, ao amarelinho, todos estáticos, olhando torcida no círculo central cantando o hino do América aos brados pulmões. Todos se emocionaram. Vamos falar para os nosso filhos e netos da cena. A diretoria apareceu num cantinho e ficou totalmente estática e observando a demonstração mais singela do significado da palavra AMOR.

Nunca houve fenômeno parecido no futebol mundial:

O dia em que a torcida desceu para o gramado e os jogadores subiram para as arquibancadas, para ao lado da diretoria, aplaudirem, todos, o nosso majestoso estádio.

Realmente, tem coisas, que só acontecem com o América.

Na véspera do nosso quase centenário clássico, América, eu te amo.

Texto dedicado ao amigo Paulo Borges, pelo fato de ser o aniversariante do dia, além das palavras ditas por esse grande americano no círculo central: "Em 40 anos de América, nunca vi o futuro tão próximo".

Vamos pra cima da cachorrada, com tudo.”

(Marinho Monteiro)

Obrigado.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Estabilidade

Anúncio em jornal, edital publicado, taxa de inscrição de vinte reais. Quatro vagas, que se dane, nunca tive medo de concorrência. Quase dois meses estudando. Trabalhos de faculdade ficando aos poucos em segundo plano, para que se priorize Português, Matemática, Informática e regimento interno. Prova, bom desempenho, sexto lugar. Uma pequena espera e lá está: nomeado. Exame médico, entrevista, papelada e, finalmente, meu primeiro emprego, já num concurso público.

Qual o valor da estabilidade? E de que estabilidade está se falando? Pra manter a estabilidade de um emprego, vale a pena abrir mão completamente de sua estabilidade emocional?

Não creio que exista algum brasileiro que acredite plenamente na lisura de um serviço público, por mais ufanista que seja – e isso eu sou. Ainda mais na esfera municipal, que é onde se concentra a maior sujeira. Mas é inevitável que um homem de princípios tenha, lá no fundo, uma esperança verdinha de que ele mesmo seja capaz de mudar aos poucos o que há de ruim em volta.

Nos primeiros meses tudo era maravilhoso – mas não era impressão errada de novato, já me disseram que entrei numa época muito boa. Diretores concursados, competentes, merecedores de seus cargos. Chefes que realmente primavam pelo trabalho.

O problema é que era ano de eleição. Em ano de eleição, todo cargo de confiança tem seu preço. Melhor dizendo, toda PESSOA em cargo de confiança tem seu preço. Alguns deles são até bem baratinhos, aliás. Numa virada de ano, tudo mudou. Um presidente concursado que já estava na empresa há mais de 15 anos deu lugar a um João-ninguém que é chamado de “doutor” por pura babação de ovo e só chegou onde está por ser amigo próximo do governador. Isso vai se repetindo nas diretorias, assessorias, gerências. Alguns dão até nojo de apertar a mão, tamanho o sebo e a falsidade. Nessa dança das cadeiras não ganha o mais rápido. Ganha o mais apadrinhado.

Toda essa sujeira se espalha pela empresa, de cima pra baixo. Logo quem está ao seu redor já está vendido. Surgem cargos de confiança onde não existiam e o cabide vai crescendo.

Carteiradas. Meu Deus, as carteiradas. Tirar vantagem da posição já é desprezível por si só, no geral. Imagine fazer isso dentro da própria empresa! Com menos de um ano de empresa eu já tinha batido de frente com pessoas assim. Não consigo ser tão passivo.

Bom, todos esses pensamentos soltos são só um pequeno desabafo. Em 539 dias, vivi muita coisa: por um lado meu esforço jamais foi reconhecido e cheguei a sentir nojo de dividir o ambiente de trabalho com algumas pessoas que falavam de mim pelas costas e até roubavam meus pertences. Mas por outro lado fiz bons amigos, aprendi muito, ganhei dinheiro e cresci como pessoa. Enfim, só tenho 22 anos, não posso me contentar com estabilidade de emprego. Não às custas de princípios e consciência limpa.