segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Maquinária" (ou "Sobre o dia em que eu morri e renasci")


Pré-show

Eu tô esperando por esse show há, no mínimo, oito anos, desde a primeira vinda do Deftones ao Brasil (Rock in Rio III, 2001). Comprei o ingresso com mais de um mês de antecedência, fiz uma camisa com o nome da banda e tudo o mais. Voltei a ter 14 anos por um tempo.

O plano era: sair de BH sexta-feira às 20h, chegar a São Paulo no sábado de manhã bem cedo, ficar de bobeira até as 15h, hora de início do festival que iria até 23h30, quando embarcaríamos de novo rumo a BH, com provável chegada às 9h de domingo. Chegando aqui, passaria em casa pra tomar um banho rápido e rumaria para a Praça da Assembléia, onde tenho que fazer a prova do ENADE, que é conteúdo obrigatório para eu me formar em Publicidade e Propaganda, a partir de 13h. O que poderia dar errado? Hahaha...

Fui trabalhar com a mochila que levaria pra São Paulo. Uma camisa extra pro caso de chuva/lama, uma blusa de frio que ficou intacta devido ao calor infernal, câmera, barra de cereal, uns remédios pra ressaca e por aí vai. E claro, a camiseta do Deftones. Lá em São Paulo, tudo combinado com a Day – eu chegaria no máximo às 7h de sábado, tempo de sobra pra darmos uma volta pelo centro de São Paulo antes do show.

Deu 17h30, já saí em direção ao centro. Tava cedo demais ainda, então passei num bar e fiquei fazendo hora. Mesmo assim cheguei ao terminal umas 19h, uma hora antes do horário marcado pro busão sair. Mais ou menos meia hora depois, começaram a chegar os psicopatas da excursão, um mais doido que o outro. Aliás, achei que fãs de Deftones seriam minoria no ônibus, mas só deu a gente. Todos, sem exceção, estavam indo pela mesma banda.

Uma hora e algumas brejas depois, chega o Big, organizador da excursão. Camiseta, bermuda e havaianas. Quase dei meia-volta, afinal era o ônibus errado – eu achei que fôssemos pra São Paulo, não pra Búzios. Hahaha zueira à parte, o cara é muito gente fina.

Todo mundo pra dentro do busão. Primeira parada em Igarapé pra encher o tanque – o nosso, não o do ônibus – e de volta pra estrada. No DVD do ônibus rolou de Beatles a Jazz, passando por Incubus. Tava tudo dando tão certo que eu comecei a ficar preocupado. Até que o busão começa a dar sinais de dengue.

A lata velha (pior que nem era velha e a empresa passou até pretinho nos pneus – UAU) tava fazendo 20 por hora nas subidas, e na descida ia por inércia. Paramos em Oliveira e o motorista pediu pra mandarem outro ônibus de BH.

Duas horas (que pareciam dois dias) num restaurante. Perder o show a gente não perderia porque ainda tinha tempo de sobra, mas os planos de dar um rolé com a Day pelo centro de São Paulo antes do festival já tinham ido pro vinagre.

Chega o segundo ônibus. Retomamos a viagem por volta de 2h da manhã. Eu não sabia que o sul de MG era tão grande e tão demorado pra atravessar, puta merda. Amanheceu o sábado e ainda estávamos em Pouso Alegre (o que rendeu uma foto linda, é verdade). Tomamos café da manhã em Camanducaia por volta de 6h30, no único bar do universo que não tem bebida alcoólica, mas tem um banheiro de dois quilômetros quadrados e Coca-Cola de 600 ml (fazia anos que não via uma). Bucho cheio, de volta pro asfalto.

Uma eternidade de tempo depois, chegamos ao estado de São Paulo, quem me contou foi o visor do celular: CLARO SP 11. Pra chegar à capital foi rapidinho, e isso quem me contou foi meu nariz. “Prazer, Rio Tietê”. Nunca mais na minha vida vou reclamar do cheiro do Rio Arrudas.

Pegamos um pouco do famoso trânsito paulistano, vimos o Canindé, estádio da gloriosa Lusa (ainda vou voltar a SP pra conhecer a Rua Javari, mas isso não vem ao caso), passamos pela Marginal Pinheiros (que consegue feder mais que a Tietê) e rodamos, perdidos, atrás da tal Chácara do Jockey. Durante o trajeto, descobrimos que as putas locais são trabalhadoras bem mais dedicadas e prestativas que as de Belo Horizonte. Em pleno sabadão de sol, lá pelas 10h, vimos pelo menos umas três batendo ponto.

Quando encontramos o local do festival, a galera se separou. Uns foram pro bar mais próximo encher os córneos de birita, outros foram pra Galeria do Rock apesar do atraso, pra aproveitar o pouco tempo que faltava. Eu preferi ficar de boa na porta do local, bebendo uma água. Liguei pra Day pra avisar que cheguei e fui comprar o ingresso dela.

Meia hora só pra comprar um ingresso. Fila? Não, sistema vagabundo mesmo. A Internet da bilheteria caiu umas 5x, a mocinha do caixa já não tinha onde enfiar a cara de tanta vergonha (sorte dela que era muito gata e muito educada, o que fez meu stress dar uma volta pelo quarteirão). Um cara que chegou desesperado pra comprar também passou pela mesma situação. Ele foi até mais espirituoso que eu: “Será que vou ter que comprar do cambista? O sistema dele não tá fora do ar”. Passei mal de rir. No fim, tudo certo pra ele também. E foi bom ver que a venda dos cambistas foi um fracasso total, eles vendiam por menos da metade do preço e todo mundo ignorou.

A Day também demorou a chegar à Chácara. Trânsito maravilhoso esse. Foi bom demais vê-la depois de seis anos – ela não mudou nada, continua linda demais e com aquele estilo fantástico. Comprei uma camisa do Deftones pra ela e fomos pra fila de entrada.

O festival foi todo muitíssimo bem organizado. Várias tendas dos patrocinadores com umas atrações bem legais: tiramos foto posando na bateria e na guitarra na tenda do UOL, ganhamos revistas Trip e Rolling Stone, brindes da Hurley e um monte de outras coisas. O foda era a cerveja ser Itaipava, nunca tomei uma breja tão horrível. O dogão custava oito reais, mas era praticamente um almoço, gigantesco. Ficamos batendo papo no restaurante e depois descemos pra pista pra ver o início dos shows.

Nação Zumbi

Sabe qual foi o único defeito do show da Nação? A porra da platéia.

Deu vergonha. Eu não vou ser hipócrita de dizer que eu estaria ali pagando o preço que paguei se fosse só pra vê-los – eu tava ali pra ver Deftones e Faith no More, e como FNM viria pra BH no dia seguinte, dá pra dizer que a viagem toda foi SÓ por Deftones – mas ficar de braço cruzado durante o show dos caras é falta de respeito. Não curte o som? Vai dar uma volta, coisa pra fazer é o que não faltava.

Eu tava ali pagando uma nota e curto o som da Nação, vou ficar parado? Cantei, pulei e tudo o mais, o som dos caras é muito foda e descobri que eles são MUITO bons ao vivo. Por sorte tinha gente que fez o mesmo e, pelo menos perto da grade, a festa tava bonita. “Meu Maracatu pesa uma tonelada” foi do caralho, e “Quando a maré encher” fechou com chave de ouro. Repito: não iria pra São Paulo só por eles, mas quando passarem por BH eu vou de novo.

Pausa pra água, sentar um pouco pra descansar e, 15 minutos depois, mais rock.

Sepultura

No show do Sepultura a galera começou a juntar, mas ainda não tava cheio. Pra não dizer que não peguei nada que veio do palco, o roadie do Sepultura jogou umas cinco garrafas de água bem gelada e eu peguei uma. Água de graça é ainda mais gostosa.

Eu desencantei de Sepultura com a saída dos Cavalera, mas não dá pra negar que Derrick Green é um poço de carisma. O português do negão já tá fluente (já era hora) e todo brasileiro gosta quando gringo se mete a falar nossa língua. São poucos os vocalistas que pegam o bonde de uma banda andando e conseguem manter o bom nível, e o Derrick é um deles. Andreas Kisser e seu inseparável meião bambi, como sempre (embora eu prefira mil vezes ver o SPFC campeão de novo a ver o Patético conquistar isso). Deu dó foi do Paulo, no meio do show o coitado já tava roxo, parecia que ia explodir. E o batera novo (desculpa, mas não sei o nome) manda bem demais – prefiro o Igor, mas o cara não fica atrás não.

Não dá pra ficar quieto em show do Sepultura, isso é fato. Não achei que faltou nenhuma música (minha favorita, Attitude, não rolou, mas como ela nunca ta no setlist, já imaginava). A galera veio abaixo com Troops of Doom e, obviamente, o show fechou com Roots Bloody Roots. Stephen Carpenter (guitarrista do Deftones) acompanhou o show INTEIRO na lateral do palco batendo cabeça. Fantástico.

Ao fim do show do Sepultura, aproveitei que muita gente foi beber água e colei na grade. Um calor dos infernos e eu morrendo de sede, mas não podia sair dali senão perdia o lugar. E o que estava por vir mudaria minha vida por completo.

Deftones

Não esperem nenhum comentário sério sobre esse show. Eu estava em alfa, beta, gama e todas as outras letras do alfabeto grego ao mesmo tempo.

Os caras abriram com a nova Rocket Skates, música do próximo CD. Muito boa, se o álbum for todo nesse nível, vai ser muito foda. Já emendaram Lotion em seguida – não esperava que tocassem essa maravilha de música. Todo mundo perto da grade – inclusive eu, óbvio – cantou música por música, verso por verso. A energia ali era inexplicável.

Algumas músicas já eram esperadas, mas a emoção era a mesma quando elas começavam. My Own Summer, Be Quiet and Drive, Root, Around the Fur, Head Up (que Chino dedicou ao Chi, baixista que ainda está no hospital por causa de um acidente de carro)... todas executadas com perfeição.

Na hora de Hexagram, Chino desceu para a grade, só que um pouco longe de onde eu estava. Tentei ganhar o máximo de terreno possível, cheguei a ficar a uns três metros de distância dele, não o suficiente para cumprimentá-lo, mas o suficiente pros meus sinais vitais irem embora e voltarem. Metade da cidade de São Paulo pisou no meu pé, mas não tô nem aí.

Quando acaba Hexagram e eu sinto que consegui segurar a onda, eles começaram a tocar Change e as lágrimas desceram. VIADAGEM É O CARALHO! Tô esperando esse show há oito anos, descarreguei tudo no sábado. Até agora não caiu a ficha de tudo aquilo que eu vi tão de perto.

Além de Change, Chino tocou guitarra também em Beware e Hole in the Earth, músicas do último CD lançado, Saturday Night Wrist. Tocaram Passenger, outra que jamais imaginei que ouviria ao vivo. E pra fechar, como não poderia ser diferente... 7 WORDS!!! Perfeito.

A única música da qual senti falta foi Korea – quem me conhece sabe porque hahaha – mas que se foda. Estava sacramentado o melhor dia de toda a minha vida. Inesquecível.

Uma galera pediu desesperadamente pra que eles fizessem um bis com Back to School, mas não fizeram. Atrás de mim um cara não parava de gritar “VAMO VOLTAR PRA ESCOLA, PORRA” hahaha. Pra mim não fez falta, foi tudo perfeito.

Depois desse show eu não conseguia raciocinar direito. Comprei muita água, bebi metade, joguei a outra metade na cabeça e deitei na grama, enquanto a produção preparava o palco para a próxima banda.

Jane’s Addiction

Assisti boa parte do show deitado. Queria guardar o mínimo de energia que ainda tinha para o show do Faith no More.

Tenho que confessar que quebrei a cara com o Jane’s Addiction. Era a banda de quem eu esperava menos e os caras mandaram muito bem. Não tocaram Suffer Some, minha favorita deles, mas abriram o show com a maravilhosa Whores e não deixaram de tocar Been Caught Stealing, o que me fez levantar da grama pra cantar junto. Ótima performance deles. E teve uma música no final (que eu não conheço ou ainda estava tão fora de mim que não identifiquei) que a galera cantou o refrão sozinha, direitinho. De arrepiar.

Um adendo: Perry Farrell rompe todos os limites da homossexualidade. Perto dele, Freddie Mercury é um lenhador irlandês que coça o saco e toma cerveja morna. Aproveitou os intervalos entre uma música e outra pra falar do corpo do Dave Navarro e rebolar naquele “terno” coberto de glitter. Se ele nascesse mulher, não seria tão feminino.

Pouco antes do show do Jane’s Addiction terminar, a Day teve que ir. Ela queria muito vir pra BH para ver o Pop Rock Brasil, mas já acabaram com o festival. Se não tiver, arrasto-a pra cá pra outro show, não importa.

Ao fim do show do Jane’s, minha vontade era de ir embora. Já estava pensando em só ficar até o Faith no More entrar, pra eu cumprir a promessa que fiz pra minha prima de ligar pra ela quando entrassem, e depois voltar pro busão pra puxar um ronco. Ainda bem que não fiz isso, ou perderia um espetáculo.

Faith No More

A chuva atrasou bastante a entrada deles. Logo que entraram (tocando Reunited), peguei o celular e liguei pra Rafaela, mas a ligação não completou de jeito nenhum.

Mike Patton entrou com seu já famoso terno vermelho e um guarda-chuva. A galera toda naquele clima zen, quando ele joga longe o guarda-chuva e a banda começa a tocar From Out of Nowhere. O povo desabou. Ao fim do primeiro refrão, Mike pegou o pedestal do microfone e jogou no meio da galera. Eu já sabia que o cara era muito bom, mas ao vivo deu pra ver o quanto. Um showman.

Conversando com a platéia (sempre em português), Mike perguntou: “E aí, paulistas? Como estão? Molhados? Secos [apontando pro palco], molhados [apontando pra nós]?” Hahahahaha.

Tocaram Last Cup of Sorrow (como não poderia deixar de ser, com Mike Patton cantando no megafone) e Evidence, que Mike cantou em português e dedicou ao Zé do Caixão (Evidence é uma música que ele sempre dedica a pessoas com as quais ele não se dá muito bem, e eu rolei de rir quando minha prima disse que, em BH, ela foi dedicada ao Atlético).

O clima de baladinha voltou quando tocaram Easy. Milhares de pessoas balançando as mãos pra cima, coisa linda. Já emendaram com Epic pra delírio do povo e, quando eu já achava que o ritmo ia baixar, entrou a bateria de Midlife Crisis, minha música preferida dos caras.

A dor no corpo foi toda embora, cantei a música inteira e pulei feito um condenado. Na hora do último refrão, a banda toda parou e todo aquele mar de gente cantou com perfeição. Mike Patton ficou paralisado e começou a simular uma convulsão, o que incendiou a platéia. Levantou de súbito e cantou o refrão mais duas vezes pra fechar.

Também tocaram, como não podia faltar, “The Gentle Art of Making Enemies”. Patton também cantou “Ela é carioca” (trocando carioca por paulista, é claro) e ainda aproveitou pra falar de futebol. Perguntou pelos torcedores do Palmeiras e tocou o hino do Verdão no megafone. Nos vários “encores” que fizeram, tocaram o clássico tema de Scarface, além de Carruagens de Fogo, Ashes to Ashes e outras que não vou me lembrar porque já estava em outra dimensão.

Pós-show

Uma coisa que muito líder de banda tem que aprender com Chino Moreno e Mike Patton: sem o público nenhum artista é porra nenhuma. O Chino desce na grade e faz questão de dar as mãos pra o máximo de fãs possível que estiver ali perto, numa interação máxima. E o Mike, entre uma música e outra, não disse uma ÚNICA palavra em inglês. Conversou em português FLUENTE com o pessoal. Dois exímios frontmen.

Comprei mais água pra tomar um remédio – ainda fazia muito calor e minha cabeça doía – e voltei pro busão, ainda meio “bobo”, sem entender direito o que tinha acabado de acontecer. O show da minha vida, só isso.

Apaguei de tal forma que nem vi o busão sair de São Paulo. Acordei por cinco segundos quando paramos num restaurante que tinha vestiário pra galera tomar um banho se quisesse. Alguns desceram, eu apaguei de novo. Só saí do ônibus quando estávamos novamente em Oliveira, na mesma parada em que ficamos esperando o busão reserva na ida. Tomei um café da manhã caprichado (eram umas 7h30) e voltei. Não demorou pra chegarmos a BH.

Chegamos ao Centro por volta das 11 da manhã. Hora de ir pra casa descansar, certo? Errado. Ainda tinha o maldito ENADE. Não tomei banho, não troquei de roupa e não tirei as pulseiras do Maquinaria, pra que todo mundo na escola onde fiz a prova soubesse que eu voltei pra BH contrariado. Por mim eu ficava em São Paulo até segunda à noite.

O que eu trouxe de Sampa: uma dívida total de quase 1000 reais gastos com ingresso, excursão, comida e bebida, dores em todo o corpo, alguns buttons do Faith No More, uma camisa que dei para a Rafaela e UM SORRISO FILHA DA PUTA NO ROSTO que não vai sair tão cedo daqui. Aos sete dias do mês de novembro de dois mil e nove, eu morri e nasci 100% renovado.

O vídeo gravado por mim abaixo resume um pouco (bem pouco) do que senti. Eu vi Deftones ao vivo, velho! Nunca vou esquecer isso. NUNCA.

4 comentários:

  1. Foda D+++++++++++++++++++++++

    Valeu pela emoção q eu senti daqui lendo seu texto !!

    Abração Cara!

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  2. Gente!!!

    Só quem tem uma banda favorita sabe o que é se sentir uma puta assim!

    Marcelooo! Fiquei feliz por vc ter visto a sua banda favorita ao vivo. E as desventuras só servem para deixar o momento ainda mais inesquecivel #gay #piegas #clichê

    Obrigada pela camisa. GENTE! RAFAELA DA CAMISA DO FAITH NO MORE SOU EU!

    E o Marcelo se esqueceu de contar que ele levantou uma faixa com "PLAY THE REAL THING TOMORROW, IN BH" e o Faith tocou.

    Tbm levou a faixa "Cheeno! Me possua..."

    e...

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  3. Marcelo, querido!
    Emocionante teu texto. Dispensa comentários.

    Foi um privilégio dividir aquele dia contigo. Vai ficar na memória e no coração para sempre.

    São Paulo e eu continuamos de braços abertos.

    Mil beijos!

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  4. Não sei pq diabos só aceitaram meu cometário como nome do meu blog.

    Mas tá valendo!

    Dayane Shioya

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