domingo, 7 de novembro de 2010

Diamond Eyes - review pessoal

Desde maio eu já pretendia fazer esse review, que parecia não sair nunca por falta de tempo ou até de inspiração pra escrever. Agora finalmente terminei.

Tudo que escrevo sobre Deftones tem a mesma imparcialidade do que escrevo sobre o Brasil, sobre o América, sobre minha família ou sobre qualquer coisa que eu guarde no coração: zero. Essa análise de Diamond Eyes não é diferente.

Deftones

Se você não conhece Deftones, corra que ainda dá tempo de nascer de novo. Comece lendo um pouco sobre a banda no Wikipédia enquanto ouve algumas músicas no Youtube. Acredite, você não sabe o que está perdendo. Mas vamos ao review.

O álbum

Diamond Eyes nasceu num dos piores momentos (emocionalmente falando) do Deftones. Depois de todo o furacão emocional que foi a produção de Saturday Night Wrist, o balde de água gelada acertou a banda em cheio com o acidente de carro que levou o baixista Chi Cheng ao coma. A produção do álbum foi imediatamente interrompida, pra depois ser iniciada praticamente do zero, agora com o reforço do competente Sergio Vega. Mas pra todos nós que acompanhamos a banda, com todo respeito ao Vega, Chi é o único baixista.

Apesar do inferno astral dos bastidores, creio que profissionalmente a fase atual é uma das melhores da banda. Apenas coloco o ano de 2003 (produção do álbum Deftones e grandes turnês internacionais) acima, pois havia a mesma energia intensa e, principalmente, Chi.

Faixa a faixa

Diamond Eyes começa com uma música de mesmo nome. Colocar música homônima ao álbum é perigoso, marca o álbum negativamente se a música não for ótima. Mas felizmente não é o caso, porque Diamond Eyes é linda. O refrão é extremamente agradável, e o grito desesperado de Chino por Chi Cheng é de arrepiar qualquer ser humano que conheça a história e a atual situação do baixista. Royal sobe o giro do motor e traz mais dos gritos que são tão típicos do Chino e tão sabiamente distribuídos por ele pelas músicas. Analisando instrumentos separadamente, é uma das melhores performances do Stephen (guitarrista) no álbum. CMND/CTRL, ainda com ritmo acelerado, abre espaço pra mostrar um pouco, bem pouco, do que Abe é capaz na bateria. Um gênio.

Bem diferente das três primeiras músicas, mais cadenciada, mas não por isso menos pesada. Essa é You’ve Seen the Butcher. Não se parece com nenhuma fase anterior de Deftones, é realmente novidade, uma ótima novidade. A quinta música vem em seguida, freando mais um pouco. Se Royal serve pra você sentir o vento na cara, Beauty School é pra você curtir cada pedaço da bela paisagem. Contém talvez a introdução mais bonita do álbum e um refrão muito gostoso de ouvir. Música relaxante, tão relaxante quanto a situação descrita na letra. Hahahah...

Prince remete ao início dos anos 2000 em um ótimo sentido. É de IMPRESSIONAR a semelhança entre ela e a belíssima RX Queen (não conhece? Ouça aqui), do álbum White Pony. Como minha amiga Pri já me disse, você começa ouvindo uma e termina cantando a outra. Prince não é tão romântica e/ou “sensual” (sei lá se é essa a palavra) quanto RX Queen, mas é mais “forte”. Linda também.

Rocket Skates merece um parágrafo só pra ela. Não sei se é pelo fato de eu ter tido a honra-barra-prazer-barra-privilégio-barra-EARGASM de tê-la ouvido ao vivo em São Paulo, a 3 metros de distância do palco, quando Diamond Eyes ainda estava no forno e ninguém sequer sabia o nome da música, mas pra mim é facilmente a melhor do álbum. O resgate da identidade da banda está inteiro nessa música, do primeiro ao último segundo. Ouvindo Rocket Skates você passa por todos os álbuns do Deftones ao mesmo tempo. Guns, razors, knives, ta tudo aqui e é do caralho.

Continuando, a oitava música quebra novamente o ritmo. Sextape é bem lenta e tem um dos refrãos mais bonitos do álbum, talvez o mais bonito. Stephen dá SHOW nessa música. Não que todos não estejam impecáveis, mas a guitarra dele conduz Sextape de forma incrível. Música pra ouvir mil vezes em loop, maravilhosa. Em seguida, Risk carrega um bocado da energia do álbum anterior, Saturday Night Wrist. Redundante fazê-lo pela terceira vez, mas não dá pra não elogiar Stephen também nessa faixa. Muito bom.

As duas últimas músicas fecham o álbum com a mesma classe de todas as outras. 976-EVIL também é novidade. Bem cadenciada, como You’ve Seen the Butcher, mas ligeiramente mais melódica. Muito bonita. Já em This Place is Death, Chino claramente resgata o estilo vocal do quarto álbum, que leva o nome da banda. Fecha com chave de ouro um álbum sensacional. Ou quase fecha.

Sim, porque Diamond Eyes traz 3 covers inéditas como faixas bônus. E que covers, meu Deus do céu.

Pra começar, nada menos que Do You Believe, do Cardigans. Sabe quando pegam uma música que já é fantástica, levam pra outro lado e mantêm a perfeição? É bem por aí. Mais ou menos o que Deftones já tinha feito com Please Please Please Let Me Get What I Want, do Smiths (não conhece? Ouça no Youtube a original aqui e a versão Deftones aqui). Voltando a Do You Believe, no Youtube rola um fotoclipe usando algumas imagens do Chi (clique no nome da música no início desse parágrafo), e é de marejar os olhos. Das três covers de Diamond Eyes, facilmente minha favorita.

Em seguida, uma cover muito bem executada de uma música dos ingleses do Japan: Ghosts. O gosto do Deftones por rock britânico é parecidíssimo com o meu, o que se pode notar por outras versões feitas (maravilhosamente bem) por eles, como Smiths, Cure, Duran Duran e por aí vai.

Por fim, uma cover totalmente inesperada, pelo menos por mim. Apenas uma vez ouvi Deftones tocando hardcore (quando fizeram essa cover de Subliminal, do Suicidal Tendencies). Agora pude ouvir novamente: Caress, do Drive Like Jehu. Bom demais! Abe mais uma vez brilhante na bateria, só pra variar.

Enfim, se Diamond Eyes prometia ser a ressurreição da banda após todos os problemas, missão cumprida. A qualidade é incontestável e algumas faixas são de emocionar. Eu já o recomendaria antes mesmo de ser lançado, apenas por ser Deftones, mas agora recomendo ainda mais. Não deixem de ouvir.

Obrigado.



1- Diamond Eyes – 9,5
2- Royal – 9
3- CMND/CTRL – 8,5
4- You’ve Seen the Butcher – 9
5- Beauty School – 9,5
6- Prince – 9,5
7- Rocket Skates – 10
8- Sextape – 9,5
9- Risk – 8,5
10- 976-EVIL – 9
11- This Place is Death – 8,5
12- Do You Believe (The Cardigans cover – Bonus) – 10
13- Ghosts (Japan cover – Bonus) – 9
14- Caress (Drive Like Jehu cover – Bonus) – 9,5

NOTA GERAL: 9,2

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Algumas novidades

Bom, pessoal, como minhas postagens aqui têm sido tão esporádicas quanto as visitas - o que pretendo mudar postando mais regularmente - resolvi fazer algumas mudanças. São pequenas coisas que eu acho que vão melhorar o blog, tanto na organização quanto na divulgação.

Antes de tudo, algumas mudanças na aparência. Novas cores, novo logo, etc. Já fazia tempo que estava do jeito antigo e enjoei. Espero que gostem, e aceito sugestões.

Adicionei no menu à direita uma seção chamada "Sobre o que você quer ler?", onde os posts estão organizados por assunto. Se você clicar em "Futebol", por exemplo, todos os posts relacionados a futebol serão exibidos, ocultando os posts que falem de outros assuntos.

Novidades também abaixo de cada post. Incluí um botão de "Gostei" - não incluí um de "Não gostei" porque é um verdadeiro trollbait - só pra eu ter um feedback simples. Também adicionei botões de divulgação, caso queiram repassar o que leram via Twitter, Facebook e afins. Um tanto pretensioso pra quem quase não tem leitores, mas tudo bem.

Por fim, vou passar a colocar anúncios pelo blog. Eu sei, meu blog não tem nem de longe o tráfego necessário pra gerar uma renda relevante e nem é essa a minha intenção, mas por enquanto é apenas pra testar, quero ver no que dá. Por isso peço, desde já, que tenham paciência com os anúncios e, se possível, cliquem neles, nem que seja só um clique a cada vez que vocês entrarem. Já ajuda.

Como eu disse acima, aceito sugestões à vontade. Gosto muito de escrever aqui, e tô fazendo o possível pra melhorá-lo pra mim e pra quem lê ou um dia já leu.

Obrigado.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Criatividade com fones de ouvido

Fuçando a web se acha muita coisa interessante. Dia desses vi o blog da LauPre, uma costureira que mostra soluções inteligentes e criativas utilizando agulha, linha e similares. Mas o que me fez conhecer o blog foi, especificamente, este post. Nele a moça apresentou a forma mais original que já vi para resolver um problema que eu tenho desde o meu primeiro walkman: fones de ouvido com fios quebrados ou enroscados.
Na teoria, só o que ela fez foi “encapar” os fones de ouvido dela com um zíper. É tão simples quanto genial. Achei tão interessante que resolvi fazer isso nos meus (com a ajuda indispensável de Dona Vera e Dona Maria do Carmo, vulgo minha mãe e minha tia que são costureiras de primeira).
Pra começar, uma diferença. Como o meu fone de ouvido é de celular e tem microfone, ele não se separa todo como o da LauPre, o que fez com que o projeto fosse modificado. Enquanto o zíper do fone dela se abre por inteiro até o plug, o meu para de abrir antes, mas o suficiente. E o microfone foi costurado para fora (vide quarta foto) pra poder ser utilizado.
Se você quiser fazer também, dá uma olhada no post do blog dela (aqui de novo), onde ela explica com detalhes como se faz. Abaixo postei as fotos do resultado com o meu fone de ouvido. Não precisa ter mil habilidades de costura pra fazer isso (eu pedi ajuda porque tenho coordenação motora de uma criança sonolenta), nem mesmo de máquina de costura. Basta agulha, linha e o zíper, que são coisas fáceis de comprar.








Obrigado.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homenagem simples, mas sincera

Há quem diga que textos especialmente feitos para homenagear mulheres, mães, pais e namorados em seus respectivos dias rompem a barreira do piegas. Mas calma lá, o ano tem 365 dias. Se nós, que somos e precisamos ser deliciosamente piegas, não pudermos descarregar toda a nossa melação pelo menos nessas quatro datas, imagine só o tédio.

Entretanto, hoje a criatividade me falta para escrever algo digno do valor inestimável de vocês, mulheres, motivo pelo qual nem me atreverei a tentar. Que apenas fiquem registrados o meu carinho e a minha homenagem às verdadeiras obras-primas do Universo, àquelas de quem nós, homens, vivemos reclamando de barriga cheia pelo simples prazer de reclamar, já que é fato consumado que nós não vivemos sem vocês.

Parabéns a todas as mulheres pelo Dia Internacional da Mulher.

(Para ser coerente, escrevi essas linhas ao som de algumas cantoras que admiro: Lily Allen, Magdalen Graal, Elis Regina e Mart’nália)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Das TPMs (a delas e a nossa)

Todo homem já teve pela frente uma amiga / namorada / esposa / mãe / chefe / colega de trabalho / etc. em uma séria crise de Tensão Pré-Menstrual. Se não teve, ainda vai ter, e dependendo do grau de parentesco com a mulher em questão, vai desejar estar a milhares de quilômetros de distância.

É chover no molhado dizer isso, mas vale repetir: NÃO É CULPA DELAS! Nenhuma mulher dá crise de TPM porque acha legal, e todas com as quais conversei sobre isso dariam tudo pra não ter que conviver com esse tormento mensal. Dói nelas mais do que dói na gente, tenham certeza. É nosso dever como cavalheiros / amigos / parceiros / filhos / pais compreender, apoiar, aguentar, oferecer o ombro pra chorar ou o braço pra levar uns murros e estar sempre por perto durante a tempestade.

Mas homem também tem TPM, gatinhas. A nomenclatura muda de cidade para cidade, mas a sigla é a mesma. E a nossa não tem a mesma intensidade da TPM feminina, mas é mais frequente, costuma vir de uma a duas vezes por semana.

Nós, homens residentes em Minas Gerais, sofremos constantemente da famigerada Tensão Pré-Mineirão. Aliás, conheço algumas mulheres que sofrem da nossa TPM também (né, Stephanie? Hahaha). E não se enganem pela partícula “Pré”, pois é um estado de apreensão que pode se estender até alguns dias DEPOIS.

As mudanças repentinas de humor são semelhantes. Eu passei por uma delas no último domingo, quando chamei o mesmo jogador de “Filho da puta” e “Seleção” num intervalo inferior a três minutos.

A ligação à comida também está presente. O “chocolate” da nossa TPM tem um nome composto e delicioso: Feijão tropeiro. É claro que varia de homem para homem, visto que o MEU chocolate se chama “Bolinho de feijão do Independência”.

Mas, ao contrário da TPM feminina, a nossa está muito mais sujeita a fatores climáticos. Se o tempo fechar pro nosso time, espere um longo período de mau humor. Portanto sejam espertas e usem estratégia: se querem pedir algo a um homem, faça-o após a vitória do time dele. Nenhum homem NO COSMOS ousaria negar. Contei um segredo da nossa raça, usem com sabedoria.

Dependendo do estágio em que a Tensão Pré-Mineirão se encontre, até algumas perguntas carregadas de carência começam a surgir. Se uma mulher na TPM pergunta “Tô feia?”, homens na TPM perguntam “Meu time vai ganhar, não vai?”. E queridas, MUITO CUIDADO ao responder.

As variações, como Tensão Pré-Maracanã e Tensão Pré-Morumbi, disseminam-se pelos outros estados brasileiros, e ganham até outras siglas em outras regiões, mas o princípio fundamental é o mesmo.

Portanto, moças, façamos um pacto. Nós prometemos ser os lordes mais exemplares do mundo durante a TPM de vocês. Em troca, sejam tão perfeitas quanto puderem ser durante a nossa. Eu sei que não é difícil, porque perfeição é item de série em vocês, vem de fábrica.

Obrigado.

terça-feira, 2 de março de 2010

Curtas de formando


15 pequenos pensamentos sobre formatura, colação de grau e baile.

1- Não importa o tamanho das dívidas que você vai contrair para fazer parte de uma formatura. Vale muito a pena.

2- Rifas são importantes. Formatura demanda dinheiro, então é bom que parte desse dinheiro venha dos outros. Rá!

3- Agradecimentos em convites de formatura são pra sempre. Cuidado ao imortalizar alguém de quem possa se arrepender depois. Não é legal.

4- O ditado "O melhor da festa é esperar por ela" vale para formaturas também. Não fiz parte da comissão, mas cada etapa do processo (venda de rifas, brindes, prova de becas, sessão de fotos, tudo) tem seu valor. Não deixe de fazer parte disso.

5- Beca e capelo esquentam muito mais que terno e gravata. E deixar o "babador" da beca em posição vertical é uma arte. Uma arte que não domino.

6- Colação de grau bem-comportada é para os fracos. Enquanto estiver lá esperando a sua vez de receber os cumprimentos e o diploma simbólico, cante, dance, faça a Ola com seus amigos. Os que fazem cara feia pra isso na verdade estão morrendo por dentro de vontade de fazer igual.

7- Se terno não fosse uma roupa tão absurdamente quente, eu usaria em muito mais festas. MUITO estilo.

8- Homens que não estão habituados a usar camiseta por baixo da camisa e do paletó: habituem-se. E não perguntem por quê, apenas confiem em mim.

9- O baile de formatura passa mais rápido do que parece. Durante ele, beba/diga/faça tudo que der na telha enquanto é tempo.

10- Não misture bebidas. Faça como eu: beba whisky, tequila, champanhe, batida e cerveja, todas na mesma noite, mas em copos separados. Ou, no caso da tequila, sem copos. Rá!

11- Falando em whisky, beba os melhores no início do baile. Depois que o álcool tomar o lugar do seu sangue, qualquer água suja com pinga que passar na sua frente vai ter gosto de Black Label.

12- Subir no palco, abraçar membros da banda e passar pelas mãos de uma tequileira são atos altamente recomendáveis. Quem não paga micos não tem história pra contar.

13- Certifique-se de que a sua amnésia alcoólica não seja maior que a dos seus amigos. Você vai querer contar para eles as coisas impensáveis que fizeram e não lembram.

14- Por outro lado, se você se lembra de tudo, você não bebeu o suficiente. Acredite, tem toda a graça do mundo ouvir dos outros as coisas impensáveis que VOCÊ fez e não lembra. Só tome cuidado pra não magoar alguém com isso. Sério mesmo.

15- E guarde tudo que puder. Fotos, lembranças, acessórios, tudo. Você terá muitas outras festas fenomenais pela frente, talvez até outros bailes de formatura se você expandir sua vida acadêmica. Mas o primeiro é o primeiro, intenso e inesquecível.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Marinho


Quantos anos você tem, caro leitor? Já escolheu seu time de futebol? Independente do que você responder, a verdade é que não escolheu. Não é assim que funciona.

Já ouviu aquele ditado que diz que a felicidade é como uma borboleta – basta parar de se preocupar com ela e ela pousará calmamente no seu ombro? Com um time de futebol é assim também. Você não escolhe, ele vem até você.

Todo mundo que me conhece sabe que o time que me escolheu – e agradeço sempre por isso – foi o América Futebol Clube. Já faz 23 anos que carrego, tatuado no coração, o emblema do clube mais mineiro de Belo Horizonte. Pudera. Com meu espírito bairrista, regionalista, ufanista e patriótico, qualquer outro time de BH que me escolhesse estaria sendo por demais incoerente.

Mas não é da MINHA paixão pelo América que venho escrever. É meu dever, como torcedor do Coelho, divulgar aqui as seguintes linhas, escritas por um ilustre americano, o qual tenho a imensa honra de poder chamar de amigo. Mário Monteiro é um verdadeiro exemplo de torcedor que aceita, de braços e coração abertos, o time de futebol que o escolhera no dia de seu nascimento. Defensor irredutível das cores do nosso exército. Marinho, meu caro, muito obrigado por ser americano.

Segue o maravilhoso texto dele, a respeito da solenidade ocorrida na última sexta-feira, marcando o início das obras de reforma do nosso segundo lar, o Estádio Independência.


“A torcida desceu e os jogadores subiram

Começo pelo fim. Tem coisas que só acontecem com o América.

O dia 22/01/2010 foi um marco na vida do clube. Formalidade a tona, protocolos, discursos, assinaturas, toda a cúpula governamental e desportista do Estado no hall do Independência para a o início das obras do único estádio particular de um clube profissional de futebol em BH.

Obras que colocarão o América na dianteira novamente, na consolidação patrimonial e na afirmação do clube com a sua galeria repleta de pioneirismos.

Pois bem, mas não venho aqui falar somente do discurso do governador Aécio Neves, neto de americano, que na qual fez questão em dizer e que também o América conseguia fazer não somente proezas esportivas, mas políticas também, pois como em cada importante cargo nos diversos setores da sociedade possui um torcedor estrategicamente do América, esse tradicional clube conseguira, numa posição clara de convergência, unir petistas e tucanos no mesmo palanque, além do modelo de gestão americano, o fato de vários presidentes que denotam o diálogo e a união em prol do América, serem uma clara e evidente inspiração para o chefe do executivo mineiro e de toda a política das alterosas.

Venho falar de uma cena em que perdi as forças no momento que vi.

Com a solenidade terminada, batalhões de fotógrafos e jornalistas à postos para colher matérias com as personalidades, uma cena surgiu, aconteceu naturalmente e nunca mais sairá da minha memória:

Torcedores apaixonados americanos desceram ao gramado do independência para se despedirem do “velho” gigante do horto, que testemunhou de jogo do copa do mundo, ou melhor, a maior zebra de todos os tempos, na vitória dos EUA sobre a Inglaterra em 1950, mais as inúmeras batalhas do América, os títulos, as lágrimas das vitórias, das lutas que se estendem do Milan da Itália ao Corinthians, dos clássicos que também foram realizados nesse importante palco americano.

No momento em que os torcedores americanos desceram para o gramado, uma imagem surgiu: o nosso capitão Wellington Paulo encostou na arquibancada e só ficou admirando com a voz embargada. Afinal, foram inúmeras batalhas travadas e capitaneadas pelo nosso zagueiro americano. Ele olhava, e os americanos iam descendo e falando obrigado capitão! Estava visivelmente emocionado. E ao lado direito, vários ex-atletas, da velha guarda americana, sentaram na arquibancada, nas cadeiras verdes para ver a cena, de Ari, o ponteiro dos anos 60, ao amarelinho, todos estáticos, olhando torcida no círculo central cantando o hino do América aos brados pulmões. Todos se emocionaram. Vamos falar para os nosso filhos e netos da cena. A diretoria apareceu num cantinho e ficou totalmente estática e observando a demonstração mais singela do significado da palavra AMOR.

Nunca houve fenômeno parecido no futebol mundial:

O dia em que a torcida desceu para o gramado e os jogadores subiram para as arquibancadas, para ao lado da diretoria, aplaudirem, todos, o nosso majestoso estádio.

Realmente, tem coisas, que só acontecem com o América.

Na véspera do nosso quase centenário clássico, América, eu te amo.

Texto dedicado ao amigo Paulo Borges, pelo fato de ser o aniversariante do dia, além das palavras ditas por esse grande americano no círculo central: "Em 40 anos de América, nunca vi o futuro tão próximo".

Vamos pra cima da cachorrada, com tudo.”

(Marinho Monteiro)

Obrigado.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Estabilidade

Anúncio em jornal, edital publicado, taxa de inscrição de vinte reais. Quatro vagas, que se dane, nunca tive medo de concorrência. Quase dois meses estudando. Trabalhos de faculdade ficando aos poucos em segundo plano, para que se priorize Português, Matemática, Informática e regimento interno. Prova, bom desempenho, sexto lugar. Uma pequena espera e lá está: nomeado. Exame médico, entrevista, papelada e, finalmente, meu primeiro emprego, já num concurso público.

Qual o valor da estabilidade? E de que estabilidade está se falando? Pra manter a estabilidade de um emprego, vale a pena abrir mão completamente de sua estabilidade emocional?

Não creio que exista algum brasileiro que acredite plenamente na lisura de um serviço público, por mais ufanista que seja – e isso eu sou. Ainda mais na esfera municipal, que é onde se concentra a maior sujeira. Mas é inevitável que um homem de princípios tenha, lá no fundo, uma esperança verdinha de que ele mesmo seja capaz de mudar aos poucos o que há de ruim em volta.

Nos primeiros meses tudo era maravilhoso – mas não era impressão errada de novato, já me disseram que entrei numa época muito boa. Diretores concursados, competentes, merecedores de seus cargos. Chefes que realmente primavam pelo trabalho.

O problema é que era ano de eleição. Em ano de eleição, todo cargo de confiança tem seu preço. Melhor dizendo, toda PESSOA em cargo de confiança tem seu preço. Alguns deles são até bem baratinhos, aliás. Numa virada de ano, tudo mudou. Um presidente concursado que já estava na empresa há mais de 15 anos deu lugar a um João-ninguém que é chamado de “doutor” por pura babação de ovo e só chegou onde está por ser amigo próximo do governador. Isso vai se repetindo nas diretorias, assessorias, gerências. Alguns dão até nojo de apertar a mão, tamanho o sebo e a falsidade. Nessa dança das cadeiras não ganha o mais rápido. Ganha o mais apadrinhado.

Toda essa sujeira se espalha pela empresa, de cima pra baixo. Logo quem está ao seu redor já está vendido. Surgem cargos de confiança onde não existiam e o cabide vai crescendo.

Carteiradas. Meu Deus, as carteiradas. Tirar vantagem da posição já é desprezível por si só, no geral. Imagine fazer isso dentro da própria empresa! Com menos de um ano de empresa eu já tinha batido de frente com pessoas assim. Não consigo ser tão passivo.

Bom, todos esses pensamentos soltos são só um pequeno desabafo. Em 539 dias, vivi muita coisa: por um lado meu esforço jamais foi reconhecido e cheguei a sentir nojo de dividir o ambiente de trabalho com algumas pessoas que falavam de mim pelas costas e até roubavam meus pertences. Mas por outro lado fiz bons amigos, aprendi muito, ganhei dinheiro e cresci como pessoa. Enfim, só tenho 22 anos, não posso me contentar com estabilidade de emprego. Não às custas de princípios e consciência limpa.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Antena em flor (calma, véi)

Tem uma pilha de documentos me esperando amanhã no trabalho – aliás, esses documentos são os entes mais pontuais da face da Terra, estão sempre lá de 8 às 18, parecem aquele colega pentelho. Outra semelhança é minha vontade louca de ver ambos pelas costas – e uma defesa de monografia batendo à porta, voando junto com o tempo. Também tem um concurso chegando aí. E eu tô aqui, às 23 horas em ponto de uma quarta-feira, olhando pra janela, vendo o tedioso trânsito do Pompéia e uma chuva bem fina caindo.


Já faz anos que ouço falar que eu sou calmo. Mas nem sempre é como um elogio que querem dizer isso. Já disseram que minha calma irrita os outros, que eu não posso ser tão tranquilo assim. Quando eu era mais novo eu era tremendamente tímido e recolhido. Isso mudou em quase todos os aspectos, mas ainda não consigo me desesperar com as coisas.


O que eu já reparei é que o desespero é a reação-padrão pra várias situações do dia-a-dia. Mais do que padrão, é a reação desejada. Já prestaram atenção no semblante de uma pessoa que vem lhe dar uma má notícia? Aquela expectativa pela sua reação, aquele coito interrompido que só vai atingir o ápice quando você fizer uma cara de espanto, de choro ou de indignação?


Em atividades de escola em grupo isso era bem comum comigo.


- Marcelo, tiramos 3 em 10 no trabalho de Biologia.


Dizia alguém, empunhando aquele pré-sorriso que espera minha raiva chamá-lo pra dançar.


- Tá.


Pronto. Fiz a pessoa broxar. Provavelmente garanti a ela uma “cara de tacho” por alguns minutos.


Não é proposital, juro. Assim como eu sei que nenhuma dessas pessoas deseja o mal de alguém ou se diverte com o estresse do próximo. Só que esse estresse explícito é algo que nunca fez parte de mim, e eu realmente não sei se quero que faça. Quintana me ensinou a viver como quem está gazeando aula, e assim tento seguir.


Às vezes confundem essa minha “calma” com irresponsabilidade ou descaso (conheço bem minhas obrigações e estou em dia, até adiantado, com todas elas) e até com ausência de sentimentos. Por muitas vezes fui taxado de frio, o que não é verdade. Quem me conhece de perto sabe disso. Mas a vida não é curta demais pra ficar dando show de desespero a cada problema que aparecer?


Parou de chover. Esse cheiro que fica no ar após a chuva é bom demais, né?


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

"Maquinária" (ou "Sobre o dia em que eu morri e renasci")


Pré-show

Eu tô esperando por esse show há, no mínimo, oito anos, desde a primeira vinda do Deftones ao Brasil (Rock in Rio III, 2001). Comprei o ingresso com mais de um mês de antecedência, fiz uma camisa com o nome da banda e tudo o mais. Voltei a ter 14 anos por um tempo.

O plano era: sair de BH sexta-feira às 20h, chegar a São Paulo no sábado de manhã bem cedo, ficar de bobeira até as 15h, hora de início do festival que iria até 23h30, quando embarcaríamos de novo rumo a BH, com provável chegada às 9h de domingo. Chegando aqui, passaria em casa pra tomar um banho rápido e rumaria para a Praça da Assembléia, onde tenho que fazer a prova do ENADE, que é conteúdo obrigatório para eu me formar em Publicidade e Propaganda, a partir de 13h. O que poderia dar errado? Hahaha...

Fui trabalhar com a mochila que levaria pra São Paulo. Uma camisa extra pro caso de chuva/lama, uma blusa de frio que ficou intacta devido ao calor infernal, câmera, barra de cereal, uns remédios pra ressaca e por aí vai. E claro, a camiseta do Deftones. Lá em São Paulo, tudo combinado com a Day – eu chegaria no máximo às 7h de sábado, tempo de sobra pra darmos uma volta pelo centro de São Paulo antes do show.

Deu 17h30, já saí em direção ao centro. Tava cedo demais ainda, então passei num bar e fiquei fazendo hora. Mesmo assim cheguei ao terminal umas 19h, uma hora antes do horário marcado pro busão sair. Mais ou menos meia hora depois, começaram a chegar os psicopatas da excursão, um mais doido que o outro. Aliás, achei que fãs de Deftones seriam minoria no ônibus, mas só deu a gente. Todos, sem exceção, estavam indo pela mesma banda.

Uma hora e algumas brejas depois, chega o Big, organizador da excursão. Camiseta, bermuda e havaianas. Quase dei meia-volta, afinal era o ônibus errado – eu achei que fôssemos pra São Paulo, não pra Búzios. Hahaha zueira à parte, o cara é muito gente fina.

Todo mundo pra dentro do busão. Primeira parada em Igarapé pra encher o tanque – o nosso, não o do ônibus – e de volta pra estrada. No DVD do ônibus rolou de Beatles a Jazz, passando por Incubus. Tava tudo dando tão certo que eu comecei a ficar preocupado. Até que o busão começa a dar sinais de dengue.

A lata velha (pior que nem era velha e a empresa passou até pretinho nos pneus – UAU) tava fazendo 20 por hora nas subidas, e na descida ia por inércia. Paramos em Oliveira e o motorista pediu pra mandarem outro ônibus de BH.

Duas horas (que pareciam dois dias) num restaurante. Perder o show a gente não perderia porque ainda tinha tempo de sobra, mas os planos de dar um rolé com a Day pelo centro de São Paulo antes do festival já tinham ido pro vinagre.

Chega o segundo ônibus. Retomamos a viagem por volta de 2h da manhã. Eu não sabia que o sul de MG era tão grande e tão demorado pra atravessar, puta merda. Amanheceu o sábado e ainda estávamos em Pouso Alegre (o que rendeu uma foto linda, é verdade). Tomamos café da manhã em Camanducaia por volta de 6h30, no único bar do universo que não tem bebida alcoólica, mas tem um banheiro de dois quilômetros quadrados e Coca-Cola de 600 ml (fazia anos que não via uma). Bucho cheio, de volta pro asfalto.

Uma eternidade de tempo depois, chegamos ao estado de São Paulo, quem me contou foi o visor do celular: CLARO SP 11. Pra chegar à capital foi rapidinho, e isso quem me contou foi meu nariz. “Prazer, Rio Tietê”. Nunca mais na minha vida vou reclamar do cheiro do Rio Arrudas.

Pegamos um pouco do famoso trânsito paulistano, vimos o Canindé, estádio da gloriosa Lusa (ainda vou voltar a SP pra conhecer a Rua Javari, mas isso não vem ao caso), passamos pela Marginal Pinheiros (que consegue feder mais que a Tietê) e rodamos, perdidos, atrás da tal Chácara do Jockey. Durante o trajeto, descobrimos que as putas locais são trabalhadoras bem mais dedicadas e prestativas que as de Belo Horizonte. Em pleno sabadão de sol, lá pelas 10h, vimos pelo menos umas três batendo ponto.

Quando encontramos o local do festival, a galera se separou. Uns foram pro bar mais próximo encher os córneos de birita, outros foram pra Galeria do Rock apesar do atraso, pra aproveitar o pouco tempo que faltava. Eu preferi ficar de boa na porta do local, bebendo uma água. Liguei pra Day pra avisar que cheguei e fui comprar o ingresso dela.

Meia hora só pra comprar um ingresso. Fila? Não, sistema vagabundo mesmo. A Internet da bilheteria caiu umas 5x, a mocinha do caixa já não tinha onde enfiar a cara de tanta vergonha (sorte dela que era muito gata e muito educada, o que fez meu stress dar uma volta pelo quarteirão). Um cara que chegou desesperado pra comprar também passou pela mesma situação. Ele foi até mais espirituoso que eu: “Será que vou ter que comprar do cambista? O sistema dele não tá fora do ar”. Passei mal de rir. No fim, tudo certo pra ele também. E foi bom ver que a venda dos cambistas foi um fracasso total, eles vendiam por menos da metade do preço e todo mundo ignorou.

A Day também demorou a chegar à Chácara. Trânsito maravilhoso esse. Foi bom demais vê-la depois de seis anos – ela não mudou nada, continua linda demais e com aquele estilo fantástico. Comprei uma camisa do Deftones pra ela e fomos pra fila de entrada.

O festival foi todo muitíssimo bem organizado. Várias tendas dos patrocinadores com umas atrações bem legais: tiramos foto posando na bateria e na guitarra na tenda do UOL, ganhamos revistas Trip e Rolling Stone, brindes da Hurley e um monte de outras coisas. O foda era a cerveja ser Itaipava, nunca tomei uma breja tão horrível. O dogão custava oito reais, mas era praticamente um almoço, gigantesco. Ficamos batendo papo no restaurante e depois descemos pra pista pra ver o início dos shows.

Nação Zumbi

Sabe qual foi o único defeito do show da Nação? A porra da platéia.

Deu vergonha. Eu não vou ser hipócrita de dizer que eu estaria ali pagando o preço que paguei se fosse só pra vê-los – eu tava ali pra ver Deftones e Faith no More, e como FNM viria pra BH no dia seguinte, dá pra dizer que a viagem toda foi SÓ por Deftones – mas ficar de braço cruzado durante o show dos caras é falta de respeito. Não curte o som? Vai dar uma volta, coisa pra fazer é o que não faltava.

Eu tava ali pagando uma nota e curto o som da Nação, vou ficar parado? Cantei, pulei e tudo o mais, o som dos caras é muito foda e descobri que eles são MUITO bons ao vivo. Por sorte tinha gente que fez o mesmo e, pelo menos perto da grade, a festa tava bonita. “Meu Maracatu pesa uma tonelada” foi do caralho, e “Quando a maré encher” fechou com chave de ouro. Repito: não iria pra São Paulo só por eles, mas quando passarem por BH eu vou de novo.

Pausa pra água, sentar um pouco pra descansar e, 15 minutos depois, mais rock.

Sepultura

No show do Sepultura a galera começou a juntar, mas ainda não tava cheio. Pra não dizer que não peguei nada que veio do palco, o roadie do Sepultura jogou umas cinco garrafas de água bem gelada e eu peguei uma. Água de graça é ainda mais gostosa.

Eu desencantei de Sepultura com a saída dos Cavalera, mas não dá pra negar que Derrick Green é um poço de carisma. O português do negão já tá fluente (já era hora) e todo brasileiro gosta quando gringo se mete a falar nossa língua. São poucos os vocalistas que pegam o bonde de uma banda andando e conseguem manter o bom nível, e o Derrick é um deles. Andreas Kisser e seu inseparável meião bambi, como sempre (embora eu prefira mil vezes ver o SPFC campeão de novo a ver o Patético conquistar isso). Deu dó foi do Paulo, no meio do show o coitado já tava roxo, parecia que ia explodir. E o batera novo (desculpa, mas não sei o nome) manda bem demais – prefiro o Igor, mas o cara não fica atrás não.

Não dá pra ficar quieto em show do Sepultura, isso é fato. Não achei que faltou nenhuma música (minha favorita, Attitude, não rolou, mas como ela nunca ta no setlist, já imaginava). A galera veio abaixo com Troops of Doom e, obviamente, o show fechou com Roots Bloody Roots. Stephen Carpenter (guitarrista do Deftones) acompanhou o show INTEIRO na lateral do palco batendo cabeça. Fantástico.

Ao fim do show do Sepultura, aproveitei que muita gente foi beber água e colei na grade. Um calor dos infernos e eu morrendo de sede, mas não podia sair dali senão perdia o lugar. E o que estava por vir mudaria minha vida por completo.

Deftones

Não esperem nenhum comentário sério sobre esse show. Eu estava em alfa, beta, gama e todas as outras letras do alfabeto grego ao mesmo tempo.

Os caras abriram com a nova Rocket Skates, música do próximo CD. Muito boa, se o álbum for todo nesse nível, vai ser muito foda. Já emendaram Lotion em seguida – não esperava que tocassem essa maravilha de música. Todo mundo perto da grade – inclusive eu, óbvio – cantou música por música, verso por verso. A energia ali era inexplicável.

Algumas músicas já eram esperadas, mas a emoção era a mesma quando elas começavam. My Own Summer, Be Quiet and Drive, Root, Around the Fur, Head Up (que Chino dedicou ao Chi, baixista que ainda está no hospital por causa de um acidente de carro)... todas executadas com perfeição.

Na hora de Hexagram, Chino desceu para a grade, só que um pouco longe de onde eu estava. Tentei ganhar o máximo de terreno possível, cheguei a ficar a uns três metros de distância dele, não o suficiente para cumprimentá-lo, mas o suficiente pros meus sinais vitais irem embora e voltarem. Metade da cidade de São Paulo pisou no meu pé, mas não tô nem aí.

Quando acaba Hexagram e eu sinto que consegui segurar a onda, eles começaram a tocar Change e as lágrimas desceram. VIADAGEM É O CARALHO! Tô esperando esse show há oito anos, descarreguei tudo no sábado. Até agora não caiu a ficha de tudo aquilo que eu vi tão de perto.

Além de Change, Chino tocou guitarra também em Beware e Hole in the Earth, músicas do último CD lançado, Saturday Night Wrist. Tocaram Passenger, outra que jamais imaginei que ouviria ao vivo. E pra fechar, como não poderia ser diferente... 7 WORDS!!! Perfeito.

A única música da qual senti falta foi Korea – quem me conhece sabe porque hahaha – mas que se foda. Estava sacramentado o melhor dia de toda a minha vida. Inesquecível.

Uma galera pediu desesperadamente pra que eles fizessem um bis com Back to School, mas não fizeram. Atrás de mim um cara não parava de gritar “VAMO VOLTAR PRA ESCOLA, PORRA” hahaha. Pra mim não fez falta, foi tudo perfeito.

Depois desse show eu não conseguia raciocinar direito. Comprei muita água, bebi metade, joguei a outra metade na cabeça e deitei na grama, enquanto a produção preparava o palco para a próxima banda.

Jane’s Addiction

Assisti boa parte do show deitado. Queria guardar o mínimo de energia que ainda tinha para o show do Faith no More.

Tenho que confessar que quebrei a cara com o Jane’s Addiction. Era a banda de quem eu esperava menos e os caras mandaram muito bem. Não tocaram Suffer Some, minha favorita deles, mas abriram o show com a maravilhosa Whores e não deixaram de tocar Been Caught Stealing, o que me fez levantar da grama pra cantar junto. Ótima performance deles. E teve uma música no final (que eu não conheço ou ainda estava tão fora de mim que não identifiquei) que a galera cantou o refrão sozinha, direitinho. De arrepiar.

Um adendo: Perry Farrell rompe todos os limites da homossexualidade. Perto dele, Freddie Mercury é um lenhador irlandês que coça o saco e toma cerveja morna. Aproveitou os intervalos entre uma música e outra pra falar do corpo do Dave Navarro e rebolar naquele “terno” coberto de glitter. Se ele nascesse mulher, não seria tão feminino.

Pouco antes do show do Jane’s Addiction terminar, a Day teve que ir. Ela queria muito vir pra BH para ver o Pop Rock Brasil, mas já acabaram com o festival. Se não tiver, arrasto-a pra cá pra outro show, não importa.

Ao fim do show do Jane’s, minha vontade era de ir embora. Já estava pensando em só ficar até o Faith no More entrar, pra eu cumprir a promessa que fiz pra minha prima de ligar pra ela quando entrassem, e depois voltar pro busão pra puxar um ronco. Ainda bem que não fiz isso, ou perderia um espetáculo.

Faith No More

A chuva atrasou bastante a entrada deles. Logo que entraram (tocando Reunited), peguei o celular e liguei pra Rafaela, mas a ligação não completou de jeito nenhum.

Mike Patton entrou com seu já famoso terno vermelho e um guarda-chuva. A galera toda naquele clima zen, quando ele joga longe o guarda-chuva e a banda começa a tocar From Out of Nowhere. O povo desabou. Ao fim do primeiro refrão, Mike pegou o pedestal do microfone e jogou no meio da galera. Eu já sabia que o cara era muito bom, mas ao vivo deu pra ver o quanto. Um showman.

Conversando com a platéia (sempre em português), Mike perguntou: “E aí, paulistas? Como estão? Molhados? Secos [apontando pro palco], molhados [apontando pra nós]?” Hahahahaha.

Tocaram Last Cup of Sorrow (como não poderia deixar de ser, com Mike Patton cantando no megafone) e Evidence, que Mike cantou em português e dedicou ao Zé do Caixão (Evidence é uma música que ele sempre dedica a pessoas com as quais ele não se dá muito bem, e eu rolei de rir quando minha prima disse que, em BH, ela foi dedicada ao Atlético).

O clima de baladinha voltou quando tocaram Easy. Milhares de pessoas balançando as mãos pra cima, coisa linda. Já emendaram com Epic pra delírio do povo e, quando eu já achava que o ritmo ia baixar, entrou a bateria de Midlife Crisis, minha música preferida dos caras.

A dor no corpo foi toda embora, cantei a música inteira e pulei feito um condenado. Na hora do último refrão, a banda toda parou e todo aquele mar de gente cantou com perfeição. Mike Patton ficou paralisado e começou a simular uma convulsão, o que incendiou a platéia. Levantou de súbito e cantou o refrão mais duas vezes pra fechar.

Também tocaram, como não podia faltar, “The Gentle Art of Making Enemies”. Patton também cantou “Ela é carioca” (trocando carioca por paulista, é claro) e ainda aproveitou pra falar de futebol. Perguntou pelos torcedores do Palmeiras e tocou o hino do Verdão no megafone. Nos vários “encores” que fizeram, tocaram o clássico tema de Scarface, além de Carruagens de Fogo, Ashes to Ashes e outras que não vou me lembrar porque já estava em outra dimensão.

Pós-show

Uma coisa que muito líder de banda tem que aprender com Chino Moreno e Mike Patton: sem o público nenhum artista é porra nenhuma. O Chino desce na grade e faz questão de dar as mãos pra o máximo de fãs possível que estiver ali perto, numa interação máxima. E o Mike, entre uma música e outra, não disse uma ÚNICA palavra em inglês. Conversou em português FLUENTE com o pessoal. Dois exímios frontmen.

Comprei mais água pra tomar um remédio – ainda fazia muito calor e minha cabeça doía – e voltei pro busão, ainda meio “bobo”, sem entender direito o que tinha acabado de acontecer. O show da minha vida, só isso.

Apaguei de tal forma que nem vi o busão sair de São Paulo. Acordei por cinco segundos quando paramos num restaurante que tinha vestiário pra galera tomar um banho se quisesse. Alguns desceram, eu apaguei de novo. Só saí do ônibus quando estávamos novamente em Oliveira, na mesma parada em que ficamos esperando o busão reserva na ida. Tomei um café da manhã caprichado (eram umas 7h30) e voltei. Não demorou pra chegarmos a BH.

Chegamos ao Centro por volta das 11 da manhã. Hora de ir pra casa descansar, certo? Errado. Ainda tinha o maldito ENADE. Não tomei banho, não troquei de roupa e não tirei as pulseiras do Maquinaria, pra que todo mundo na escola onde fiz a prova soubesse que eu voltei pra BH contrariado. Por mim eu ficava em São Paulo até segunda à noite.

O que eu trouxe de Sampa: uma dívida total de quase 1000 reais gastos com ingresso, excursão, comida e bebida, dores em todo o corpo, alguns buttons do Faith No More, uma camisa que dei para a Rafaela e UM SORRISO FILHA DA PUTA NO ROSTO que não vai sair tão cedo daqui. Aos sete dias do mês de novembro de dois mil e nove, eu morri e nasci 100% renovado.

O vídeo gravado por mim abaixo resume um pouco (bem pouco) do que senti. Eu vi Deftones ao vivo, velho! Nunca vou esquecer isso. NUNCA.